Lobby e Advocacy: conheça as diferenças


Com a volta da regulamentação do lobby para a pauta do governo o debate sobre o assunto cresce em todo o país. Por isso, é importante entender esse conceito muitas vezes compreendido de modo errôneo e também outros termos relacionados, como o advocacy.

O lobby, como já citamos em alguns artigos publicados aqui, é uma prática empreendida sobretudo por associações setoriais e profissionais na defesa de interesses de empresas privadas com o objetivo de influenciar políticos e agentes públicos na tomada de decisões.  Embora erroneamente seja confundido com um ato de corrupção, o lobby é legal e garante os direitos privados.

Para tanto, é praticado por um grupo de interesse organizado que pode ter um representante, o lobista, que conversa com o agente público. A ele são apresentados o seu ponto de vista e as alternativas para as demandas.

O termo advocacy vem do latim, advocare, que quer dizer ajudar alguém em necessidade. E, mesmo que, traduzindo do inglês, advocate, significa literalmente advogar, aqui, possui um significado menos jurídico, sendo aplicado com outra conotação.

Dessa forma, advocacy é a expressão usada quando uma pessoa ou grupo faz uma defesa e argumenta em favor de uma causa pública, geralmente, relacionada ao bem comum e não a um grupo específico. Do mesmo modo que o lobby, é uma maneira de influenciar as decisões do governo.

Mais uma vez, os Estados Unidos podem ser citados como um país que tem tradição na prática do advocacy, sendo realizada, principalmente, pelas organizações da sociedade civil. No Brasil, tanto o seu significado é pouco conhecido, como a sua prática pouco realizada.

Embora tanto o lobby quanto o advocacy sejam processos legítimos de reivindicação dos direitos, existem diferenças entre ambos. O primeiro costuma ser feito por um representante de empresas, associações setoriais e profissionais em busca dos interesses de empresas ou grupos privados.

Já o advocacy é praticado, principalmente, por entidades e instituições civis, como ONGs e movimentos sociais. Assim, os interesses que os motivam a agir estão voltados para o bem público e relacionados às políticas públicas e grandes causas sociais, como meio ambiente e direitos humanos.

Uma grande diferença entre os termos é que uma das principais estratégias do advocacy envolve várias ações de comunicação, como assessoria de imprensa, patrocínio de eventos, ações de guerrilha, etc. As estratégias aqui tentam influenciar de as decisões de forma indireta, por intermédio da mobilização da opinião pública.

De qualquer forma, ambas as práticas são essenciais para a manutenção da democracia, desde que sigam os preceitos da transparência e da ética.