Segundo projeção do renomado grupo de consultoria empresarial, o Boston Consulting Group (BCG), a classe média e as famílias ricas das cidades do interior do país vão representar, até 2020, um mercado de mais de U$600 bilhões. Porém, poucas empresas estão posicionadas corretamente para aproveitar este crescimento.
O estudo apresentado no início de junho de 2014, intitulado “Brazil’s Next Consumer Frontier: Capturing Growth in the Rising Interior” afirma que “O mercado no interior do Brasil oferece algumas das mais ricas oportunidades de crescimento do mundo para bens de consumo e serviços. No entanto, este mercado é muito carente tanto por empresas nacionais quanto estrangeiras, cuja gestão ainda não tende a pensar muito além das principais cidades do Brasil.”, palavras do co-autor do relatório, Olavo Cunha. O relatório também fala que até o final dessa década, os consumidores do interior serão responsáveis por gastar cerca de aproximadamente U$130 bilhões adicionais no mercado, principalmente em setores como serviços financeiros, vestuário e automóveis.
Para atingir esse nicho de mercado é importante facilitar o acesso aos pontos de vendas no interior com a presença de lojas físicas. Esse é o principal motivo para os consumidores do interior gastarem muito menos em determinados setores do que as pessoas residentes em grandes centros.
Para se ter uma ideia, cerca de 5,5 mil cidades do interior não possuem qualquer atendimento bancário do tipo premium (as que possuem são bem recentes). Das 98 cidades do interior com mais de 5.000 famílias abastadas, 60 não têm nenhuma concessionária de carros de luxo, segundo o BCG.
Todos esses dados são facilmente visíveis quando se mora em uma cidade como Uberlândia, que apesar da recente vinda de megastores, redes de supermercados, hotéis, lojas de tecnologia e concessionárias que comercializam carros de luxo, o mercado ainda oferece espaço ao se considerar o poder de compra dos seus consumidores.
O principal problema enfrentado pelos empresários quando se fala do mercado no interior, principalmente no comércio de produtos e serviços de luxo, é o comportamento do consumidor local que é muito diferente daquele das grandes cidades. Mas isso pode ser resolvido com um bom posicionamento do negócio somado às boas estratégias mercadológicas. Ou seja, investir com uma abordagem atraente na sua mudança de atitude levando em conta também a cultura de consumo já estabelecida.
Cabe às grandes empresas pensar fora da caixa e ir além das metrópoles para alcançar novos clientes e crescer significativamente até 2020. Estamos quase lá e percebemos que muitas já estão colocando seus planos de expansão na rua.
Portanto, para aquelas empresas que ainda estão concentradas em seus redutos metropolitanos, a hora para se posicionar é agora e, dessa forma prepararem para a retomada do crescimento da economia nacional em níveis condizentes com o seu potencial.