O "G" do ESG que poucos entendem: governança pública e privada como vantagem de mercado


          Governança é a forma como uma organização toma decisão, presta contas, controla risco e executa promessas. Isso vale para esfera pública ou privada. Em 2026, ambas viram moeda de troca no mercado. A diferença é que a maioria dos empresários pensa em governança como burocracia interna. Errado. Governança se tornou critério de investimento.

          A Comissão de Valores Mobiliários do Brasil, a CVM, estabeleceu que a partir de 2026, toda empresa de capital aberto precisa reportar à sociedade e aos investidores um documento que integra questões de governança, ambiente e sociedade ao mesmo relatório que fala de lucro e prejuízo. Chama-se IFRS S1. O que isso significa na prática? Significa que quando um fundo de investimento ou um banco analisa se vai financiar sua empresa, ele não olha só números. Olha como você governa risco, quem toma decisão na sua empresa, se há conflito de interesse, se há transparência.

          Aqui entra um detalhe que poucos executivos percebem: governança corporativa não se constrói no vácuo. Ela espelha o ambiente onde a empresa opera. Uma empresa que funciona em cidade com governança pública forte tende a replicar esses padrões internamente. É natural. É cultural.

          Uberlândia consolidou essa cultura. Em 2025, a cidade participou de uma avaliação externa coordenada pela Associação dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) que mede transparência pública em todo o país. Uberlândia atingiu o nível máximo dessa avaliação pelo segundo ano consecutivo.

          Um empresário que escolhe operar em Uberlândia herda esse padrão como referência. A pressão cultural pela transparência já existe. As pessoas ao redor entendem que processos precisam ser claros. O risco regulatório é menor porque a cidade já demonstrou, através de auditoria externa, que cumpre a Lei de Acesso à Informação — a legislação que obriga o poder público a disponibilizar dados que o cidadão solicitar.

          Agora, quando chega a hora desse empresário reportar sua governança corporativa conforme o IFRS S1, ele não começa do zero. Ele já viu na prática como a governança funciona. Viu a prefeitura fazendo. Viu investidor valorizando. E quando seus auditores externos pedem: "Mostre-nos como sua empresa governa risco ambiental", ele consegue responder com clareza porque entende que não é checkbox. É processo real.

          O inverso também é verdadeiro. Uma empresa que opera em cidade com governança pública frágil — onde a prefeitura não publica dados, onde há falta de transparência, onde controle externo é fraco — enfrenta dificuldade em demonstrar que sua própria governança é sólida.

          Uberlândia também aparece em rankings nacionais de desenvolvimento que medem justamente isso: qualidade de governança, saúde, educação, emprego. Em 2025, ficou em terceiro lugar nacional entre grandes cidades, atrás apenas de Curitiba e São Paulo. Esses rankings não são prêmios políticos. São análises de dados públicos feitas por uma instituição independente. Quando seu cliente, seu banco, seu investidor vê que você opera em cidade que ocupa terceiro lugar em desenvolvimento do país, isso importa. Importa para percepção de risco.

          O "G" do ESG em 2026 não é apenas regulação. É competitividade. Empresa com governança transparente acessa crédito mais barato, atrai investidor mais qualificado, retém talento melhor. Empresa sem governança clara fica fora de licitações com critério ESG, perde acesso a linhas de crédito verde, fica invisível para fundo de investimento que filtra por sustentabilidade. É uma seleção natural de mercado.